UMA EDITORA-LILITH


A Lua Negra é uma editora independente de ficção, poesia e, em breve, não ficção. Nossas publicações comprometem-se com a qualidade literária e têm um apreço por temas humanos tratados com aprofundamento. A Lua Negra publica escritos que não apenas tragam o tabu para a pauta, mas ousem integrar o que está à sombra ao unir polaridades, como o misticismo e a ciência.



livros empilhados

A Lua Negra é o projeto literário da pensadora, romancista e poeta Ana Karina Luna. A escritora abraçou um estilo que chama de ancestral-de-vanguarda: suas narrativas trazem maneiras de pensar a vida tão, mas tão milenares, que parecem narrativas de futuro. O objetivo é esse mesmo: germinar reflexões fora da caixinha da cultura no/a leitor/a. Ana Karina faz isso tentando produzir sua melhor escrita, e para isso, se devota ao que ama: escrever e ler muito, estudar teoria literária, pesquisar e se capacitar, tempo consigo mesma e sempre ter um livro no forninho. Além de escritora, Karina é também oraculista (tarô & astrologia), terapeuta holística, designer gráfica e artista plástica. Enfim, uma bruxa moderna.

A Lua Negra nasce e se põe em Maceió — daqui, acha caminhos, abre canais, revela portais — e segue parindo sua literatura própria que gosta de investigar o profundo por dentro do que o tempo não come.



A Escritora & Seu Projeto Literário    |    Temas & Áreas de Pesquisa    |    Características da Obra & da Autora    |    Livros Publicados    |    Trecho



A ESCRITORA & SEU PROJETO LITERÁRIO

A AUTORA

ANA KARINA LUNA é escritora, artista plástica, oraculista (estuda profundamente o Tarô e a Astrologia); tem formação em terapia holística e iniciou a vida como arquiteta-urbanista. Radicou-se por 17 anos em Seattle, EUA, onde se especializou em design gráfico e trabalhou como diretora de arte.




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Como escritora, Karina escreve em português e inglês produzindo poemas, contos, crônicas, ensaios, novelas e romances.

Em 2014, seus poemas Melodrama e Distraction foram premiados no concurso anual de contos e poemas da Hugo House Literary Series (Seattle).

Em 2017, seu conto “Mário & Rosina” (que no mesmo ano virou seu 1° livro) lhe rendeu a seleção para o aclamado Laboratório SESC de Criação e Expressão Literária — com o maravilhoso e teatral Prof. Nilton Resende, com quem passou um ano inteiro se aprofundando em prosa e ficção, com foco na escrita autoral. No mesmo ano, fundou a Lua Negra Cartonera (a 1ª versão da Lua Negra).

Desde 2014, Karina estuda poesia com Debora Woodard em suas oficinas de literatura, na Hugo House, tais como “Escrevendo junto a Emily Dickinson” (2014), “A Arte do Fragmento: Escrevendo junto a Anne Carson, Dickinson & Sappho” (2019), “Escrevendo junto a Eirin Moure & Fernando Pessoa” (na qual foi monitora e deu suporte com as traduções da obra de Fernando Pessoa, 2022).

Em 2012-2013, também na Hugo House, Karina foi orientada pela escritora-em-residência Kary Wayson. Esses estudos avançaram sua escrita e a ajudaram a levá-la a sério, assistindo-a em moldar seu estilo e voz para longe de possibilidades formulaicas.

No Brasil, participou de diversos workshops de literatura com escritores latino-americanos renomados e publicados como Amílcar Betega, Lucy Collin, Carlos Henrique Schroeder, Marcelino Freire, Dennis Radünz. Estudou, durante muitos anos, Tipografia na Escola de Conceitos Visuais (Seattle). Karina adora linguagens em todos os seus formatos: escrito, visual, energético/cósmico, tecnológico (ela escreve código de website também!).

Como artista plástica, sua produção vai de linóleo-gravuras e telas a esculturas em arame e desenhos em grafite. Em 2008, fundou em Seattle a tipografia Miss Cline Press — prensava poemas e gravuras usando prensas de ferro centenárias (como as de Gutemberg). Fez 5 exposições solo e participou de mais de 20 coletivas entre Brasil e EUA. Suas obras estão distribuídas por todos os continentes.

Como oraculista, Karina oferece sessões de tarô e astrologia e vê na intersecção dessas três artes (escrita, arte visual e oráculos) sua vocação e paixão pela narrativa e pelos símbolos — considera-se uma leitora de tudo: vida, pessoas/psiques, fenômenos, energias. Em 2022, criou O Oráculo da Poesia, uma vivência de arte-oraculação.



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Karina é formada em Arquitetura & Urbanismo (B.A., Bacharelado em Artes, UFAL, 1990-95) e é especializada em Design Gráfico (A.A.A., Associate in Applied Arts, EUA, 2000-01); é também Terapeuta Holística treinada em um estilo experimental, experiencial e teatral de terapia, a Gestalt Viva (Instituto Gestalt de Vanguarda Claudio Naranjo, São Paulo, 2016-19). Trabalhou 5 anos como arquiteta (e ainda faz pequenos projetos aqui e ali) e também continua trabalhando como Designer Gráfica desde 2001.

Pratica, estuda e pesquisa sobre os usos terapêuticos do Tarô e da Astrologia, cristais & florais, energias & suas polaridades, medicina integrativa & alimentos orgânicos, psicologia & psicanálise, tradições ocultas & pré-científicas, processos artísticos intuitivos & espirituais na arte, aplicações da física quântica & alquimia, fenomenologia & xamanismo, psicodélicos & plantas, e dança improvisada & movimento espontâneo. Dança salsa, tango, samba, forró, boleros ou o que quer que peça um ritmo refinado.

Karina é de Maceió, AL; desde 2015 voltou dos EUA para o Brasil, e vive em Maceió num templo perto do céu onde mantém os pés bem assentados nos jardins da terra. É discípula de Dionísio e das Senhoras Gaia e Lua.


Conheça mais sobre a autora:
Currículo Vitae →
Portfólio de Arte Visual →

TEMAS & ÁREAS DE PESQUISA

Meu treinamento com a meditação despertou a ideia de ver muitas dimensões mesmo num único olhar. Terminei por lembrar que desde o útero eu já via através "das paredes", dentro das pessoas, do outro lado do mundo. Eu via as narrativas invisíveis, as verdades escondidas, e que contradiziam o que era visível ao olho humano. Eu vislumbrava as sombras.

influencias

Os temas da escrita de Ana Karina giram em torno da integração dos opostos, as chamadas polaridades, e que estão presentes em todos os seres, sem exceção. Karina traz através das suas poesias e narrativas uma proposta de juntar assuntos apenas aparentemente irreconciliáveis: OPOSTOS, já que todo oposto é, na verdade, complementar ao seu contrário. Assim: a vida é isso e aquilo ao mesmo tempo, e ela vê nessa “pequena” mudança de perspectiva a chave para o fim de muitas discussões insolúveis que assiste por todo lugar. Infelizmente, a cabecinha do ser humano ainda funciona como um pêndulo, e quando está num lado, não enxerga o outro oposto, no entanto, este faz parte do mesmo movimento, e esse outro oposto virá em questões de minutos, pois os opostos existem ao mesmo tempo e fazem parte de um mesmo eixo.

Karina, portanto, considera-se uma integradora de polaridades, como missão artística mesmo, trazendo à tona o encontro entre luz e sombra, lua e sol, pai e mãe, dia e noite, céu e terra, Apolo e Dionísio etc. — tal qual uma mesa faltando a metade das pernas não se segura de pé, também as polaridades só existem juntas.

Trazendo temas complexos que parecem ser apenas filosofia que não se aplica à vida normal, ela esmiúça a complexidade do ser humano usando a arte para demonstrar que descobrir a raiz de como funcionamos como seres ajuda na vida prática e cotidiana, sim: faz surgir clareza, direção, inteireza, centro potente e fluidez. Vidência. Em outras palavras: as coisas dão mais certo, funcionam, fluem.

Uma grande observadora do mundano e do cósmico, ela junta os dois, dizendo que são a mesma coisa, e dá seguimento a uma afirmação antiga: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo”, atribuída a Sócrates, mas que, de fato, era a inscrição à entrada do Templo de Delfos, na Grécia antiga, um lugar oracular de grande sabedoria. Pela sua arte literária e visual, Karina traz o devaneio de que talvez não estejamos aqui para sermos “melhores”, mas para sermos INTEIROS, com todas as partes presentes (como saberia bem dizer Fernando Pessoa, que tinha mais de 77 heterônimos).

CARACTERÍSTICAS DA OBRA & E DA AUTORA

E assim, vivo e escrevo: em múltiplas camadas e dimensões, que se opõem e se complementam. Por ser simbólica, a leitura é uma experiência quântica, de criar através da atenção, tal qual a meditação. E tanto como ao meditar, ao pôr atenção na própria atenção e desfocar do mundo, começa-se a perceber mais camadas, mais linhas do tempo e mais fractalizações do mundo — tal qual no ato de ler: não é só a história mais óbvia que conta algo, também o próprio código da escrita esconde e revela outros mundos, outras dimensões relacionadas à história "mote". Essas muitas narrativas e símbolos dançando nas linhas só se revelam se conseguirem conversar com as narrativas internas do leitor. Para isso, é necessário concentração nele, e não distração. Essa é a leitura rica, criadora e criativa que faz uso da maior inteligência que há: a da imaginação. E essa é a leitura que, de fato, transmuta o leitor.

Fazer os opostos conversarem é sua fissura, sua curiosidade, sua paixão, mas para isso, ela precisa conhecer as partes em separado e em relação. Assim, suas obras trazem sempre um DUPLO, um par de opostos com os quais o leitor se identificará, de um lado ou de outro, às vezes sem desconfiar que o duplo são duas partes da mesma coisa. Como o são a vítima e o vilão, por exemplo.

Essa ‘tensão boa’, é sentida pelo leitor, que se prende à obra para “ver como isso é resolvido”. E é o próprio inconsciente do leitor que anseia por qualquer tipo de integração e, portanto, fisga-se à obra por meio de um interesse oculto, mas primordial para ele — de alguma forma, os pares internos das pessoas se atiçam na leitura da obra e se buscam por dentro do leitor, antevendo uma possiblidade de junção. Se o leitor, de alguma forma, permite essa junção (não põe obstáculo, não para de ler) os opostos, ao ajuntarem-se, ao conversarem, reconectam uma verdade própria e única do leitor que o alivia, e possivelmente o liberta, seja grande ou pequena.

Assim, sua obra é permeada pela conversa entre as polaridades, inclusive os diálogos tornam-se cada vez mais presentes, especialmente nas ficções. Em cada obra sua, vai aparecendo um DUPLO. Em “A Criação da Não-Mãe” são a analista e sua analisanda. Em “Maluquete Quer Dançar” são Maluquete (a protagonista) e a narradora que lhe cuida, mas não se revela. Em “Mário (& Rosina)” é duplo é óbvio... Em “Saindo da Piscina de Éter” parecem ser uma donzela e uma hetaera (ou algo como uma gueixa). Em “O Mergulho” há até uma mudança de gênero do protagonista — espelhada por todos os outros personagens — e por haver seis personagens no total, 12 duplos, então, passeiam pela obra? Já na série de poemas “Uma Mulher Dilacera o Patriarcado” e “Adágios de Uma Escrava” o duplo é novamente tão óbvio que se concretiza em dois livros que um dia já foi um livro com duas capas: poemas de pena e de vingança demonstram o espectro da polaridade em que vive as mulheres.

LIVROS PUBLICADOS PELA AUTORA

2017 - Saindo da Piscina de Éter - Poemas Ilustrados
2019 - Maluquete Quer Dançar - Poemas & Geometrias
2020 - Mário (& Rosina) - Romance
2022 - Série:
         - Uma Mulher Dilacera o Patriarcado - Poemas de Vingança
         - Adágios de Uma Escrava - Poemas de Pena
2023 - O Mergulho - Romance / Ficção Especulativa
2024 - The Dive - Novella / Speculative Fiction (eBook)
2025 - A Criação da Não-Mãe - Romance

Enquanto o mar não vem
cuido das louças,
apalpo uma caneta,
cuido dos copos de água
que não sequem para as flores,
escrevo num regime de lentidão,
naquela espécie de silêncio cheio,
mutismo de banheiro, —
contenho-me tal qual,
aguardo palavras
— muito depois da tinta tocar o papel, —
de novo cuido das louças, das águas, das flores,
acaricio canetas.

O mar não bate na amurada nessas horas,
não vem,
ele sabe que preciso dos silêncios cheios e inchados,
ocos para lágrimas.

(trecho do livro "Saindo da Piscina de Éter")