A Criação da Não-Mãe


Ana Karina Luna
Editora Lua Negra, 2025
388 páginas
ISBN: 978-65-01-80285-5 
Release do livro →

A CRIAÇÃO DA NÃO-MÃE

Romance


SINOPSE:
Uma analista e sua paciente se encontram em uma pequena sala e logo surge um tema: os desconfortos mais íntimos da paciente sobre engravidar... ou não. A conversa se transforma em uma peregrinação aos cantos sombrios da mente humana quando a revolta da paciente contra a cultura aparece em teorias estranhas, à medida que a sala se enche de milênios de fatos, temas, assuntos e reclamações enterrados do mundo oculto das mulheres, para o desgosto da analista.

Como uma bruxa auto-desfazendo um feitiço complicado, a paciente nem poupa palavras nem a si mesma, e à medida em que não vai restando pedra sobre pedra, a analista começa a se sentir confusa sobre o que realmente está acontecendo na sala e quem é essa mulher enigmática sentada à sua frente, por quem começa a sentir amor e medo, ao mesmo tempo em que duvida da própria sanidade. Um romance psicológico.


CARACTERÍSTICAS DA AUTORA E DA OBRA:
A obra de Ana Karina Luna é permeada pela ideia de uma conversa entre polaridades, inclusive os diálogos tornam-se cada vez mais presentes. Polaridades estas que se buscam também dentro da leitora. Em cada obra sua, há um DUPLO que aparece. Aqui analista e analisanda formam o par, espelhando também um duplo dentro da própria leitora.


TRECHINHO DA INTRODUÇÃO:
A primeira revolução foi feminina. Na época do Matriarcado, nos idos do Neolítico, houve uma mulher que, no ritual de fecundidade no final da primavera, disse “não” a esse ritual. À época, dizer “não” à fecundação é inédito. Como não se conhecia a menstruação, já que o ciclo da mulher era anual e ela era fecundada todo ano, essa mulher foi expulsa do clã ao deitar fora sangue, 15 dias depois, o que foi visto como uma maldição pois sua recusa rompeu com a deusa da Terra. Ela foi morar na floresta, só, e teve que conhecer as ervas e os mistérios do mundo para sobreviver. Usava gatos para caçar. Essa mulher é a primeira Bruxa... a primeira não-mãe, e é recebida não mais pela deusa da Terra, mas pela deusa da Lua, Ártemis, e, portanto, não tem mais uma relação só com a vida cotidiana (Terra), mas com um mundo espiritual estranho e invisível. O mundo da Lua. E assim, começa seu ciclo de 28 dias.



........
70,00
   Ver carrinho →
  • Frete estimado: R$ 12,20 - Correios (Registro Módico) - cerca de 10 dias úteis
  • Frete pode diminuir ao comprar mais de um livro.
  • Para o frete preciso, visite o carrinho →
  • Ou retire (sem frete) na Editora Lua Negra (Ponta Verde, Maceió/AL)





"

Miro-a indecisa; mesmo assim, atrevo-me na minha dúvida, e aproveito o momento, porque... porque... não sei. Já não sei mais por que hei de aproveitar — tudo se mistura, o cavaleiro, o ar, o silêncio, o peito inflado, o repique da verdade, a verdade que não cessa, que corre atrás de nós com uma faca, e em nosso desespero — por um momento, sinto medo da polícia vir atrás de nós — eu corro na frente, da polícia, mas também corro antes que qualquer verdade me pegue, pois não sei... não sei o que ela quer. E se a polícia me pegar não quero estar com a verdade no bolso. Mas é inútil isso tudo, é claro; uma força franca me alcança pela nuca, entra como se ali houvesse um pequeno orifício e disparata-se direto para a língua, da qual salta:

“Mas e a vergonha?”, digo, insegura, arriscando-me.

“Que vergonha?”, ela diz. Não parece consumida sequer.

“Você falou que as mulheres se agarram ao único poder...”, logro dizer numa respiração só.

“Ah, sim, claro. Mulheres detém o poder de ter filhos — é o que elas fazem que os homens não fazem.”

“Não é disso que falo”, pressiono.

“Faca de dois gumes... Se agarrar nisso é ser definida por isso. Depois disso, é ladeira abaixo, não sabemos ser mais nada.”

“Hum”, pressiono de outra forma.

“Como se a única criação fosse só essa?” Ela sabe que já disse isso. Fito-a. Meus olhos cravados.



"

(trecho do livro "A Criação da Não-Mãe")