Mário (& Rosina)


Ana Karina Luna
Editora Lua Negra, 2020
152 páginas
ISBN: 978-65-00-87573-7
Edição limitada: não será reimpressa ao acabar o lote.

MÁRIO (& ROSINA)

Romance


SINOPSE:
Dentro de um apartamento e de uma rotina de classe média-baixa desenrola-se a relação entre Mário e Rosina. Em apenas 45m² cabem as neuras do casal; encontros, desencontros, aromas misturado nas conversas e nas brigas, um chuveiro que sabe demais — e um enorme silêncio feminino. Porém, em meio a gaiatices e gargalhadas, um constante “bate e assopra” se disfarça dentro da vida do casal. Mário é um adorável cafajeste. Rosina quer ser levada a sério (mas parece que vive entre parênteses), e assim a narrativa de Mário-Rosina não deixa de desnudar sutis violências.

Em MÁRIO (& ROSINA) observa-se um homem em relação a uma mulher, numa contemplação do comportamento machista (e seu fiel aliado, o narcisismo masculino), e não só bisbilhota-se a poética feroz dos encontros amorosos, perpassada por um erotismo muito sensorial — seja no mundo da mecânica ou da cozinha — como também se manifesta um inverso necessário, como talvez diria Virginia Woolf: escrito por uma mulher e narrado por um homem na 1a pessoa — numa apropriação, numa quase incorporação — Mário não é apenas um masculino, é um masculino fabulado por um feminino.


O MOTE:
O que se passa na cabeça de um homem? Como seria dar voz a um masculino? Literalmente, pôr palavras em sua boca. Como seria descrever o outro sexo, como homens escritores, aos milhares, já fizeram? Tolstoi pormenorizou Anna Karenina, Flaubert caracterizou Emma Bovary, Dumas retratou Marguerite Gautier. Homens, desde sempre, dos mais famosos aos mais anônimos, esboçaram, nomearam, minuciaram e delinearam suas heroínas mulheres. Nós as conhecemos. Mas são elas reais? São assim mesmo as mulheres? Bem-humorado e infinitamente sutil, este é um romance sobre um casal pleno em idiossincrasias, mas também em sincronias. Um casal comum, numa vida mundana. Sobre todas e todos nós: mulheres e homens.



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DEPOIMENTOS

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“Rapaz tô gostando tanto do seu livro. E esse narrador é tão massa. Esse humor dele... quando ele diz: ‘Não, não... é tal coisa’ e fica se corrigindo. Ele tentando dizer sobre si, essa coisa ‘de psicos e de picos’, eu leio e rio e rio. Claro, que eu sei... eu imagino que haja algo terrível por trás, acredito que tenha acontecido algo terrível, mas há um humor, saca? Isto aqui: ‘Liguei e apenas disse assim: ‘Rosina, tá em casa?’ Não, primeiro eu disse ‘Rosina, tudo bem com você?’ Depois é que eu disse ‘tá em casa?’ Essas coisas dele são maravilhosas. A linguagem que você criou para isso, ‘Facas!’ As mugangas desse narrador. Parabéns, Ana, fico muito contente. Estou amando ler.”
- Nilton Resende
Escritor, contista, poeta, diretor, dramaturgo, roteirista, ator; diretor do premiado ‘A Barca’, baseado no conto homônimo de Lygia Fagundes Telles (de quem Nilton teve a honra de ser pupilo). Mestre e Doutor, Professor Adjunto de Literatura da UNEAL.



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“Mário e Rosina são muito reais e envolventes. Molhei algumas páginas, chorei mesmo. A identificação bateu forte em certas situações. Um amor complicado, conturbado, aquele fluxo de pensamento dos dois — às vezes, o da Rosina também entra em cheque, com as cartas. Confusão mental, todo mundo embaralhado. Foi praticamente uma sessão de análise. Gostei muito!”
- Afonso Vasconcelos
Blog Alagoas Boreal



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“A criação de neologismos usados pela personagem Mário, por exemplo, levanta uma questão muito interessante. Os neologismos misturam-se com um tipo muito próprio de corruptelas de palavras pouco conhecidas ou não compreendidas pelo narrador protagonista, que resolve suas dúvidas criando esses novos termos. E o uso de palavras do campo semântico da oficina e da profissão de mecânico – graxa, resina, marcas de carro e muitas outras – para fazer suas metáforas, para falar de seus sentimentos, faz da fala de Mário algo absolutamente imprevisível para o leitor.”
- Maria Heloisa M. de Moraes
Doutora, professora de literatura



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“Um livro despretensioso e FORTE.”
- Tribuna Independente



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“Semana passada tinha acabado de ler Mário e Rosina! Tô encantada com essa obra, Karina! Tão criativa, gostosa de ler! Sua escrita é linda, linda! É diferente, é apaixonante. Fazia tempo que eu não me prendia num livro assim, de história, de novela, desse jeito.”
- Lays Neves
Doutoranda na área de Estudos Literários Hispânicos na UFRJ



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“Finalmente, concluí a leitura de ‘Mário (& Rosina)’ e nem preciso dizer como você manda bem à beça. Eu amei e consegui identificar elementos e personagens de outros livros que eu curti muito! Mário só pode ser irmão do Henry Chinaski (‘Mulheres’, de Bukowski)! Eu adoro o jeitão tosco e sujo dele ser, bem como é o Mário. Até as palavras, os jargões, os palavrões, o vocabulário ‘toscão’ que eles têm! São alma gêmeas! E esse formato de narrativa, achei super a cara do Henry, e também do papagaio-narrador em ‘A décima segunda noite’, do Veríssimo. Você tem uma coisa sua, que nem sempre agrada o ‘padrão’. Amei a dedicatória ‘aos homens’, e o leve toque de ironia nisso. Achei a relevância da temática muito interessante e importante para refletir as relações e visões de mundo sobre as próprias relações. Eu, inclusive, que já fui ‘Rosina’, tenho amigas ‘Rosina’ a quem vou sugerir a leitura.”
- Mariana Moura
Escritora, psicanalista



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“A gente se pega rindo, falando alto, torcendo. A gente vira cúmplice, a gente chora junto, em silêncio. E os dois seguem com a gente depois que o livro fecha. E eles ficam morando aqui dentro, porque somos um pouco como eles. Um pouco, não. Somos bem como eles, sim! Por isso que este par é ímpar: no fim de tudo, a gente vira um trio.”
- Ana Gal
Cantora, compositora



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“Triste desfecho para Mário. Rosina de uma só tacada ‘descobre-se’ mulher de vontade e decisão e, em suas múltiplas justificativas, encerra maravilhosamente a história. Quer ser e não pede licença, quer ser levada a sério. Excelente!”
- Izabel Brandão
Doutora, professora de literatura

MÍDIA & RESENHAS




Este livro foi feito à mão

Este é um Livro Cartonero, movimento latino-americano de escritorxs e editoras independentes que recicla papelão para produzir livros num modelo matrístico: sustentável e artesanal. Foi iniciado por catadoras de lixo na Argentina. A autora escolheu, coletou, desmembrou e cortou caixas que viraram capas de papelão reciclado, ilustradas manualmente, assim como o foram os originais das delicadas geometrias que adornam certas páginas. Os livros são costurados um a um: cada, um original. Cartoneras “disrupcionam” a ordem de publicação e resgatam a autonomia da escritora. Foi esse movimento que permitiu a escritora a iniciar sua autopublicação

Da criação literária — minha real e maior paixão — à ilustração, à produção artesanal, à publicação — tudo foi forjado por uma mulher-autora-publicadeira-artesã em sua casa-atelier-templo. Boa leitura!



Parindo uma Piscina
pilha_livro_1
ilustracao
palestra
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costura
verso
lendo_2

"Toda vez que a Rosina se agachava, eu esperava. É agora, eu pensava. Se houvesse um espelho, tenho certeza, absoluta, que eu me veria vestindo a coroa do rei que eu estava a ponto de me tornar. O Reinado da Era da Águas do Chuveiro. E seja lá o que acontecesse, não haveria decepção — a não ser quando ela inventava de lavar o cabelo e eu não tinha paciência de esperar e saía do box. Vê se pode isso, ir lavar o cabelo nunca hora dessas! Às vezes, eu acho as mulheres muito insensíveis. Imaturas. Bem, teve uma vez, um dia, em que eu estava um lixo de cansado, lá vem a Rosina. Esfregão. Primeiro, começou com umas perguntinhas bobas. E eu lá, me fazendo de tonto. Bla-bla-blá no meu ouvido. “E aqui, Mário?” E isso, e aquilo, aqui dói? Não sei o que tanto ela precisava saber. Aí, num supetão, já foi enfiando a mão onde não devia. Êpaa! Dei um pulo, quase me espatifei no chão."

- trecho de "Mário (& Rosina)"